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09 setembro, 2009

Romance



Wagner Moura e Letícia Sabatella.
Fotografia e Trilha.
Teatro e TV.
Arte e Realidade.
Amor e Tragédia.
Sutileza e Graça.
Pintura e Poesia.
Paz e Transtorno.
Orgulho e Perdão.
Verdade e Mentira.
Amor Real e Amor Inventado.
Ator e Humano.
Sucesso e Ponto de Vista.
Discussão e Audiência.
Entretenimento Gratuito e Entretenimento Artístico.
Alienação e Compromisso.
Convencimento e Superficialidade.
“Eu te amo” e “Não sei se te quero”.
Resistência e Vulnerabilidade.
Drama e Comédia.
Tristão e Isolda.
Romance.



Romance (de Guel Arraes, Brasil, 2008)8,0
Com: Wagner Moura, Letícia Sabatella, Andréa Beltrão, José Wilker, Vladimir Brichta, Marco Nanini.

05 abril, 2009

Crítica: Durval Discos (de Anna Muylaert, 2003)



“Vão parar de produzir vinil? Que isso, sai pra lá!”
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Durval parou mesmo na década de 70. O estilão alternativo e hippie, solteiro vivendo com a mãe, dono de uma loja de LPs. Durval é mesmo um cara teimoso, que insiste em não aceitar que as coisas mudam e o tempo passa.
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“Olha que maravilha, o LP é grande, o CD é o só esse miolinho aqui. Aqui você consegue escolher a música, vê a faixa que é grande e a faixa que é pequena, escolhe exatamente o ponto que quer ouvir.” Assim ele defende seu vinil. E completa com o entusiasmo que só quem é apaixonado por um LP sabe reconhecer:
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“E tem o Lado A...e o Lado B!!! Que é completamente diferente!!!”
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E essa é a grande jogada da diretora Anna Muylaert. Pronto, está feita a analogia ideal para sua proposta. Transformou o filme em um vinil, selecionou a deliciosa trilha de MPB, instalou o clima nostálgico de um bairro antigo de São Paulo e dividiu o filme em dois, um Lado A e um Lado B.
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O Lado A é o convencional, menos agressivo e mais comercial. É o dia a dia de Durval em sua loja, encontrando curiosas figuras que chegam procurando discos e CDs. E a vida com sua mãe, ainda mais teimosa que ele, que não aceita “emprestar” sua casa para a nova empregada limpar e arrumar. “Olha lá, ela tá varrendo a sala, e com a minha vassoura!!!”. A empregada vai embora, mas deixa um presente para os dois, a menina Kiki! Os três então garantem essa primeira parte divertida e engraçada do filme.
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Após a primeira metade, o filme assume seu Lado B, o lado alternativo, excêntrico e non-sense. A produção vira uma fábula urbana, repleta de elementos fantásticos e extraordinários. O que dizer quando encontrar uma menininha vestida de bailarina, em cima de cavalo, com uma vassoura na mão, no quarto da sua casa? O conto de fadas ficou no Lado A, aqui é o non-sense que dita o ritmo. A trama se torna obsessiva e a trilha inquieta. Durval deve agora sair do tempo em que estacionou e acordar para o caos que o tempo atual pode trazer. É o lado que provoca e instiga.
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Como analogia a um vinil, o filme é perfeito! Como cinema, talvez não funcione para alguns. O contraste desavisado pode pegar de surpresa aqueles que já tinham se familiarizado com a primeira parte do longa. O impacto pode desagradar a quem se encantou com a abertura do filme, um plano único relaxante e criativo, com mais de 3 minutos, mostrando o nome dos atores e os créditos em placas na rua, lojas de fliperamas, camisas, cartazes no bar... É a cena inicial perfeita para um Lado A... “que é completamente diferente do Lado B”.
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Durval Discos
(de Anna Muylaert, Brasil, 2003)
Com: Ary França, Etty Fraser, Isabela Guasco, Marisa Orth, Letícia Sabatella.

22 janeiro, 2008

Oscar 2008 - Indicações

Não, não vai ter nada de festinha por aqui. O Pipoca hoje se recusa a comentar sobre o Oscar. Não pelas 8 (e merecidas) indicações cada dos filmes dos Coen e do PTA, "Onde Os Fracos Não Tem Vez" e "Sangue Negro". Ou pelas 7 indicações cada de "Conduta de Risco" e "Desejo e Reparação". Ou ainda pelo fantástico "Ratatouille" concorrer em 5 categorias. Não é nada disso. Muito menos por "Na Natureza Selvagem" ter sido quase que ignorado, levando apenas 2 xoxas indicação, ou por terem (bem) lembrado da atuação de Johnny Depp em "Sweeney Todd". Nada a ver com isso.
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A questão é uma só. Lembram de um filme belíssimo sobre a história de um garotinho que teve de afastar dos pais - que precisaram sumir por uns tempos por causa da Ditadura - e foi deixado com o avô, que logo vem a morrer, e então tem que ficar com o vizinho judeu, e aos poucos vai se acostumando com a vida ali do bairro, vai amadurecendo e deixando de lado a angústia pela espera de seus pais, e se enchendo de ansiedade em virtude da Copa do Mundo. Um filme com uma fotografia super agradável e um trilha extremamente simpática. Que emocionava pela pura simplicidade. Lembram??? Pois é, esse o Oscar esqueceu.
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O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias
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A lista inteira do Oscar 2008 aqui.

16 janeiro, 2008

"O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias" na disputa!



Divulgada a lista dos 9 pré-selecionados a disputa do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, e o brasileiro "O Ano Em Que Meus Pais Saíram de Férias" marca presença! Junto dele constam: o austríaco "The Counterfeiters,", o canadense "Days of Darkness", o israelita "Beaufort", o italiano "The Unknown", o casaquistanês "Mongol", o polonês "Katyn", o russo "12" e o servo "The Trap".
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E pra quem ficou chateado com a derrota de "Central do Brasil" para "A Vida é Bela" ou pelo fantástico "Cidade de Deus" ter sido completamente ignorado na época, podemos dizer que o Brasil nunca esteve tão perto. Ainda que os outros filmes pré-indicados possam também surpreender e deixar o brasileiro de fora , "O Ano..." já tem um enorme caminho aberto, já que a grande surpresa da lista, no entanto, é pela ausência das favoritas produções "4 meses, 3 semanas e 2 dias", "Persépolis" e "O Orfanato", e ainda outras produções tidas como fortes, como o argentino "XXY".
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E quer saber? Bem feito. Que se dane essa justiça que foi sempre duvidosa. E se "O Ano..." realmente vencer, entraremos no clima e iremos aplaudir de pé... Como todos os anos acontece em Los Angeles, no legendário Teatro Kodak.

10 dezembro, 2007

"Tropa de Elite" na disputa em Berlim!



..E "Tropa de Elite" figura na lista dos filmes selecionados para a mostra oficial da 58ª edição do Festival de Cinema de Berlim, que acontece entre 7 e 17 de fevereiro de 2008.

Na disputa ao Urso de Ouro ainda estão presentes o (cada vez mais forte) "There Will Be Blood", de Paul Thomas Anderson; "Gardens of the Night", de Damian Harris; "S.O.P.: Standard Operating Procedure", de Errol Morris; "Lake Tahoe", do mexicano Fernando Eimbcke; "Zuo You (In Love We Trust)", do chinês Wang Xiaoshuai; o filme alemão "Kirschblüten-Hanami", de Doris Dörrie; e o polonês "Katyn", de Andrzej Wajda, que será exibido fora de competição.

O Brasil já ganhou o Urso de Ouro e Urso de Prata em 1998, com o filme de Walter Salles, "Central do Brasil", e com Fernanda Montenegro.

O diretor de Tropa de Elite, José Padilha", acredita que Berlim vá abrir as portas para o filme ser lançado em outros festivais americanos antes da estréia oficial nos cinemas dos EUA.

"Tropa" chegou a figurar a lista principal do Festival de Sundance, mas o distribuidor internacional Harvey Weinstein decidiu tirá-lo da competição por apostar em uma indicação em Berlim, um dos três festivais mais importantes da Europa e mais prestigioso do que a mostra americana de cinema independente. (fonte: O Dia Online)

Todo esse lobby que o filme está tentando fazer, no entanto, poderá servir "apenas" para alavancar seu nome nas salas de exibições nos EUA e Europa. Como o representante brasileiro para indicação ao Oscar de Filme Estrangeiro será "O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias", dificilmente Tropa de Elite estará presente na festa da Academia. E, diferentemente de "Cidade de Deus" - que mesmo fora do Filme Estrangeiro recebeu outras 4 indicações, por Direção, Roteiro, Montagem e Fotografia -, "Tropa de Elite" não chega a ser um filme que impressiona tecnicamente. Mas seria fantástico ver novamente um filme brasileiro na festa de gala do cinema americano, disputando Roteiro e Direção, e Wagner Moura de igual para igual com Daniel Day Lewis e Tommy Lee Jones! E melhor seria se "O Ano..." além de concorrer por filme estrangeiro, também estivesse presente em Fotografia e Trilha Sonora!

Mas "Tropa de Elite" já merece seus devidos parabéns ao entrar na disputa do Urso de Ouro, assim como "O Ano..." já havia feito 1 ano antes. Quanto ao Oscar, não deve ser pra tanto. Ainda que sejam fantásticos!


04 novembro, 2007

O Cheiro do Ralo



O Cheiro do Ralo. Baseado no livro homônimo de Lourenço Mutarelli.
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O filme conta a história de Lourenço (Selton Mello), um comprador de antigüidades. De seu cotidiano na loja, e sua vida conturbada com a mulher, surgem as situações cômicas e filosóficas do filme. Sobre sua mulher, o que se pode dizer...“Mulher é tudo igual, se você bobear os convites já estão na gráfica!”. E em sua loja de relíquias, entre objetos excêntricos e pessoas não menos que isso, encontra desde relógio de corda até olho e perna mecânica, de mulher viciada ao ex-combatente da segunda guerra. A pessoa interessada em vender chega, senta e mostra o seu valioso produto. Ele analisa, dá o preço, e se não gostar... F!
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“Por favor, pode se sentar. Tá sentindo o cheiro ruim? É do ralo!”. E o ralo é não somente o responsável pelo cheiro ruim, ou pelas risadas durante o filme, é por ele que vem a análise da mente obsessiva do Lourenço (pode-se dizer que também do homem em si). Se, no início, ser um comprador de quinquilharias era um tanto complicado – já que pra isso deveria oferecer um preço bem abaixo do que o objeto valia para poder obter um lucro, e isso dava um pouco de pena, em virtude de todos que iam ali serem pessoas realmente necessitadas do dinheiro – com o “aparecimento” do bendito cheiro (ou maldito cheiro) surge também a tormenta que é agüentá-lo, e o conseqüente estresse, que acabaria por ser descontado nos clientes. Logo, é o cheiro o grande responsável por tornar Lourenço um coisificador.
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E tudo por causa de uma bunda. “A” bunda, diga-se bem a verdade. "Poderia me casar com essa bunda!". É um círculo vicioso em que ele está metido. Vai à lanchonete todos os dias comer um podre de um sanduíche, apenas para ver A bunda da garçonete de nome impronunciável, e como o sanduíche sempre cai mal tudo acaba indo para a privada, que irá resultar no cheiro insuportável do ralo. Bunda – Sanduíche – Privada – Ralo. A culpa é mesmo toda da bunda.
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O cheiro vem da bunda, o cheiro vem do ralo, o cheiro vem da merda. “_Aqui cheira a merda. _É o ralo. _Não. Não é não. _Claro que é. O cheiro vem do ralo. _O cheiro vem de você. _Olha lá. Olha lá, o cheiro vem do ralinho. _Quem usa esse banheiro? _Eu. _Quem mais? _Só eu. _E então, de onde vem o cheiro?”. É a grande mensagem do filme. Se são as merdas do mundo que fedem, e quem faz tudo isso é o homem, já sabemos de onde vem o cheiro. É por coisificar as pessoas, e os sentimentos, que há merdas pra tudo quanto é lado nesse mundo. É disso que o filme fala, desse pó acumulado numa loja de antigüidades, desse fedor insuportável que vem do banheirinho dos fundos.
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Entre a comédia sarcástica e mensagens de tom crítico, o roteiro te faz pensar. Mesmo que na bunda... Mesmo que no cheiro ruim que vem do ralo... E Selton Mello sem dúvida vem junto com o roteiro, é o próprio Lourenço atormentado e obsessivo.
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“De todas as coisas que tive, as que mais me valeram, das que mais sinto falta, são as coisas que não se pode tocar, são as coisas que não estão ao alcance de nossas mãos. São as coisas que não fazem parte do mundo da matéria.”
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O Cheiro do Ralo. Eis um filme são. (Mesmo não sendo)
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