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14 julho, 2011

Sessão Confesso - O Monstro



Não fosse "A Vida É Bela", a moral de Roberto Benigni seria das piores. "O Monstro" é o filme que retrata exatamente as características do ator, diretor, roteirista e faz-tudo-de-seus-próprios-filmes. A atuação beira a comédia pastelão de Didi Mocó. Aquele humor físico de se pendurar no muro para escapar do policial. De sair correndo, tropeçar na escada e sem querer puxar o vestido da moça. 

A comédia definitivamente é tosca. No entanto, o argumento do filme é interessante. Um serial killer que mata mulheres está à solta na cidade, e por um grande mal entendido, Guido (Roberto Benigni) será procurado como o tal assassino. A partir de então, uma policial passará a conviver à paisana com o rapaz, tentando seduzi-lo das maneiras mais provocantes possíveis, a fim de forçá-lo a mostrar sua verdadeira personalidade. É nesse contexto que Benigni arma seu circo para criar situações bizarras e embaraçosas, que o apontem como um maníaco sexual. 

Pode ser até deprimente, mas eu confesso que choro de rir com os causos! Não consigo mesmo segurar o riso em todas as vezes que o sr vê o Guido andando agachado, levando a sério, como se ele fosse realmente assim. As piadas podem ser dignas daquele "An? Pegou? Pegou?", e gesticulando com a mão o sinal de trocadilho. Os fatos podem ser forçados, o personagem exagerado e as sacadinhas vergonhosas. Mas eu realmente adoro, confesso!

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O Monstro (Il Mostro, de Roberto Benigni, Itália, 1994)

21 março, 2011

A Vida É Bela


"A vida é bela" mostra a história de Guido, um filho de judeus, que vive na Itália durante a Segunda Guerra mundial, sendo perseguido por nazistas e tendo que fazer com que sua família não sofra durante o período. Guido é o tipo de pai que não hesita em fazer de tudo pelo bem do filho e, com seu filho Josué, faz com que todo o clima de guerra, maus tratos e perseguições sejam apenas uma brincadeira divertida, para que ele não perceba todo o terror e a violência que os cercavam.

Todo o ambiente criado por Benigni (diretor, roteirista e ator do filme) tenta fazer com que o público entre junto no filme, viva com o personagem toda a angústia de tentar fazer com que seu filho seja capaz de acreditar que está apenas se divertindo. E Benigni o faz com toda a leveza que o filme pede que seja tratado, sutilmente vai desencadeando os acontecimentos todos. Tal como Alex faz com sua mãe em "Adeus, Lenin!", Guido tenta construir uma realidade nova a seu filho Josué. E se pode-se considerar que em "Adeus, Lenin!" há o mais puro retrato de amor fraternal, aqui o argumento também é válido.

Vale ressaltar que a tentativa de montar um mundo divertido a Josué em meio a guerra só cabe para a segunda metade do filme, já que durante toda a primeira parte, a intenção é de simplesmente divertir mesmo. E mostrar como um homem sem grandes poderes, mas com muitos sonhos, pode fazer realizar seus desejos apenas com muita criatividade e determinação. A ideia é que todo o perfil do personagem tendencione a conquistar o público, pela arquitetura de humor e surpresas criadas. Tudo isso, para que o público possa aliar o carisma do personagem ao amor de um pai. Para que quando chegue o momento em que Guido precise que os espectadores estejam preocupados e angustiados, eles não tenham mais saída e não deixem de se comoverem pela causa, acabando por torcerem juntos.

"Buon Giorno, Princepesa!" É a eterna lição que o dia deverá sempre começar alegre e descontraído, mesmo com as dificuldades da vida. É a mensagem de que sempre haverá o encanto, sempre haverá uma princesa em sua vida, mesmo que não tenha uma vida de realeza. E sempre haverão charadas a se desvendar e problemas a se resolver e, para isso, o bom-humor e a perspicácia serão da mais alta importância, diariamente.

É o grande mérito do filme, mostrar que há mesmo beleza na vida, por pior que seja. E um pouco de humor e descontração podem ser fundamentais para manter a magia de uma criança e para que se continue a seguir. Mesmo que haja lágrima nos olhos, haverá sempre um sorriso no rosto. Afinal de contas, ainda que tudo pareça estar perdido, "nós ganhamos! 1000 pontos para rir como loucos!"


A Vida É Bela (La Vita È Bella, de Roberto Benini, Itália, 1997) - 9,0
Com: Roberto Benini, Nicoletta Braschi, Giorgio Cantarini, Giustino Durano.
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